A passagem do quadragésimo aniversário do 25 de Abril de 1974 constitui uma excelente oportunidade para um «encontro» com Perdidos num Verão Quente. O romance de Faria Artur, editado pela Âncora, versa o regresso de um alferes miliciano a Lisboa, depois da campanha em Moçambique, onde se lhe depara um país em profunda mudança. É o Portugal de 1974/1975, de dias politicamente conturbados, mas de riqueza social irrepetível.
Não podendo ignorar tudo isso, o autor, recusa, no entanto, o panfletarismo, fazendo com que a acção romanesca seja dominada por histórias de amor cruzadas por acontecimentos que vão do 28 de Setembro ao 11 de Março ou o assalto à Embaixada de Espanha, na capital.
Alexandre Manuel, professor e jornalista, aquando do lançamento de Perdidos num Verão Quente, com capa de J. M. Ribeirinho e uma fotografia de Didier Hochart, assinalou que a obra «É, de facto, perante um cruzamento de cumplicidades e de distância, entre linguagem literária e linguagem jornalística, que se movimenta.»