Crónica publicada no DN em 21-8-2004

Para ser sincero, já não sei muito bem o que mais se pode dizer ou escrever. Na pior das hipóteses, provavelmente, só com o PAU, ou seja, aplicando a legislação possível. Falo do maldito hábito de deitar pela janela do automóvel a beata ainda acesa. Seja no deserto ou na mata, alguns condutores – vejo sempre o resto do cigarro a saltar da janela de quem vai a conduzir – não desarmam.
Os fumadores descuidados não mudam de hábitos nem por circularem nas estradas de um país, passe o exagero, meio devorado pelas chamas que, em certos casos, tiveram origem nos mais diversificados descuidos.
Os fumadores descuidados devem ignorar as imagens de destruição e miséria apresentadas pelos diferentes canais televisivos, bem como de outra comunicação social.
Os fumadores descuidados também não se preocupam com questões ambientais, como as ligadas à desertificação.
Curiosamente, os fumadores descuidados não se podem catalogar em ricos ou pobres e em educados ou analfabetos. Isto porque as beatas acesas tanto saem dos carros de grande cilindrada como dos familiares ou comerciais.
Não tenho nada contra os fumadores – eu já fui fumador -, apesar de não ser socialmente correcta tal posição nos tempos actuais. Só que deitar beatas acesas pela janela do carro é, pelo menos, criminoso. Mas, mais … então não há que aproveitar os «extras», como o cinzeiro, que os construtores dos automóveis colocam à nossa disposição? A questão é que parece ser complicado limpá-lo …